Parece até mentira, de tão absurdo que é, mas a verdade é que quase metade da comida produzida no mundo acaba indo para o lixo. Por quê? Porque desperdiçamos. Muito. Todos os dias. Nos EUA, que é o país campeão de desperdício, são jogados fora mais de 18 bilhões de quilos de comida por ano.

Ainda que cada vez mais se tenha falado no assunto, pouco é feito para evitar o desperdício, e isso vale tanto no âmbito doméstico quanto no comercial. Para tentar melhorar esse cenário, quatro colegas de trabalho, que trabalhavam em um mercado em Amsterdam, na Holanda, tiveram uma ideia inovadora e bastante interessante.

Como supermercados jogam fora, todos os dias, alimentos considerados impróprios para a venda, mas que são bons para consumo, os amigos resolveram abrir um restaurante, o InStock, que prepara seus pratos, basicamente, com os alimentos que acabariam parando no lixo.

Como assim?

Isso tudo iria para o lixo

Um dos idealizadores do restaurante, Freke van Nimwegen, disse que ele e seus amigos têm noção de que, em 2050, a população mundial terá subido muito e será de 9 bilhões de pessoas: “nós precisamos mudar nossa forma de lidar com a comida”, afirmou.

Nos supermercados de todo mundo, muitos itens são jogados fora por estarem arranhados, amassados ou esmagados, ainda que, dessa maneira, não estejam fora da validade. Isso acontece por um simples motivo: as pessoas escolhem sempre os itens mais bonitos – na França, um mercado passou a oferecer descontos para quem compra esses produtos “não bonitos”, o que já é uma forma bacana de reduzir o desperdício.

A rede de supermercados que topou ajudar o projeto do InStock, Albert Heijn, está buscando meios eficientes de reduzir o desperdício de alimentos há algum tempo. Em 2014, abriu uma ala do supermercado para os alimentos menos bonitos, também oferecendo descontos, como no caso do mercado francês. Além disso, a rede fez uma parceria com um aplicativo, que indica lugares que estão vendendo itens prestes a vencer e que, portanto, têm preços bem mais baratos.

Em muitos países já existe essa cultura de venda de alimentos que estão prestes a vencer com grandes descontos – no Brasil, isso acontece, mas os descontos não são muito grandes e o cliente geralmente não é informado de que o produto está prestes a vencer. Na Inglaterra, aqueles sanduíches prontos, que normalmente custam algumas libras, têm seus preços reduzidos a centavos no dia de seu vencimento.

O InStock não apenas prepara os pratos com os alimentos que iriam ao lixo como oferece a possibilidade de o cliente levar comida para casa, e o que sobra do que já era sobra é comercializado em uma pequena loja que fica junto ao restaurante.

Além da questão inovadora e sustentável, os chefs do restaurante têm desafios culinários todos os dias, afinal nunca sabem que ingredientes terão na hora de preparar o cardápio. Tudo o que eles sabem é que os itens que mais chegam são batatas, frutas, vegetais e pão. Criatividade, portanto, é ingrediente que não pode ficar de fora.

O restaurante recebe também carne e peixe de lojas da vizinhança, e até mesmo uma loja de chocolates entrou para a contribuição. De fato, quando o trabalho em equipe é bem organizado e conta com a boa vontade de todos os envolvidos, dificilmente vai dar errado. Quer mais? Até a Heineken entrou na história e oferece ao InStock a cerveja que produz a mais do que a demanda.

A ideia dos empreendedores vai além de produzir cardápios com comida que iria para o lixo: eles esperam também chamar a atenção das empresas, de modo a incentivá-las a desperdiçar menos. Interessante também é observar que o sistema pode ser adaptado para outras regiões do mundo – na sua cidade, por exemplo, isso também poderia dar certo.

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