Foram divulgados recentemente os resultados de uma pesquisa que verificou a validade de um anticoncepcional masculino injetável. O experimento, financiado pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, e pela organização sem fins lucrativos CONRAD, foi feito ao longo de oito anos e envolveu 320 homens com idades entre 18 e 45 anos. O resultado foi o seguinte: apesar da eficácia de 96%, os efeitos colaterais provocados por este procedimento poderiam ser hostis à saúde e o comportamento dos pacientes.

Modo de análise

Os envolvidos na pesquisa receberam injeções bimestrais de hormônios que suprimiam a produção de espermatozoides. Todos eles mantinham relações monogâmicas estáveis. Nas 26 primeiras semanas, os voluntários foram aconselhados a utilizar métodos alternativos à medida que o número de células reprodutivas liberadas na ejaculação diminuísse para o nível de 1 milhão por mililitro de sêmen – valor que, de acordo com a OMS, indica a infertilidade no homem.

Depois de 24 semanas do início do experimento, a taxa de espermatozoides se manteve baixa em 274 voluntários, enquanto que em 46 participantes a contagem permaneceu alta. A maior parte dos pacientes voltou a ser fértil após 26 semanas do fim do tratamento; oito homens encontraram dificuldades para recuperar a produção habitual de espermatozoides até cerca de 1 ano depois de participarem da pesquisa e quatro deles engravidaram suas parceiras. 

Efeitos colaterais

Cerca de um quarto dos pesquisados sentiu dores intensas no lugar da injeção e 15% relataram dores nos testículos e suor noturno. Só que foram os efeitos colaterais relacionados ao comportamento dos pacientes que mais chamaram a atenção dos pesquisadores.

Aproximadamente um terço obteve maior disposição sexual, ao passo que 20% tiveram repentinas oscilações de humor. Vinte voluntários optaram por deixar o tratamento em decorrência dos efeitos colaterais e 75% deles, quando questionados se adeririam ao tratamento caso ele estivesse disponível comercialmente, afirmaram que sim.

O estudo, no entanto, precisou ser encerrado mais cedo do que estava previsto. Isso aconteceu depois de os órgãos fiscalizadores concluírem que o experimento poderia oferecer riscos moderados à saúde dos voluntários. 

Conclusões

As análises levaram à conclusão de que a o experimento possuía relativa eficácia quando comparado com outros métodos contraceptivos voltados para os homens. Só que os efeitos colaterais — como as mudanças repentinas de humor, as variações abruptas na disposição sexual e o aumento da produção de acne — precisam ser levados em consideração antes de o medicamento ser disponibilizado no mercado.