Estamos acostumados com a ideia de celebrações ecumênicas, nas quais líderes de diferentes religiões se reúnem. O experimento que você vai conhecer a seguir é quase isso – quase.

Dele, participaram diversos líderes religiosos, e a ideia era basicamente compreender como o uso de drogas psicodélicas interfere na fé religiosa das pessoas. Para isso, os participantes estão tomando uma substância presente no chá de cogumelo enquanto suas reações observadas por cientistas da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore.

Ao todo, 24 líderes religiosos toparam participar do experimento. Conforme explicou um dos condutores do estudo, o Dr. William Richards, psicólogo da instituição, a psilocibina, que é a substância ativa do chá de cogumelo, tem o poder de intensificar experiências espirituais, por isso a curiosidade de estudar a ação da substância em pessoas que já têm grande crença religiosa.

Em andamento

O estudo ainda está em andamento e tem como objetivo verificar se experiências transcendentais podem fazer com que esses líderes religiosos tenham um maior desempenho ao lidar com os membros de suas comunidades ou se, na verdade, a droga causa alguma alteração em suas crenças religiosas.

Ainda que o uso de drogas seja condenado pela maioria das religiões, os pesquisadores conseguiram convencer alguns líderes religiosos a participarem do estudo. Sacerdotes católicos, ortodoxos e presbiterianos, um zen budista e vários rabinos estão participando da experiência. A equipe ainda quer conseguir a participação de um líder muçulmano e de um sacerdote hindu.

Antes de tomarem a droga, os participantes foram submetidos a exames médicos e psicológicos. Depois, receberam doses fortes de psilocibina em duas sessões, com um mês de intervalo entre uma e outra.

Cada sessão é realizada em uma sala da própria universidade. Os líderes religiosos recebiam a droga e depois ficavam deitados em um sofá, ouvindo músicas religiosas e buscando embarcar em algum tipo de experiência espiritual.

Resultados positivos

De acordo com Richards, todos os participantes gostaram da experiência e ninguém se arrependeu de ter aceitado participar do estudo. Os voluntários serão acompanhados ao longo de um ano e suas identidades serão mantidas no anonimato. “É muito cedo para falar sobre resultados, mas geralmente as pessoas parecem obter uma apreciação mais profunda de seu próprio patrimônio religioso. O dogma morto ganha vida para eles de forma significativa. Eles descobrem que realmente acreditam nas coisas que estão falando”, disse Richards, em declaração publicada no The Guardian.

Por enquanto, os pesquisadores repararam também na tendência que existe de, após uma sessão, os participantes sentirem uma expansão universal da fé que têm, passando a respeitar ainda mais as outras religiões do mundo, chegando a níveis de consciência que parecem universais – “um bom rabino pode encontrar o Buda dentro dele”, explicou o psicólogo.

A ideia de que drogas alucinógenas têm forte relação com a crença religiosa das pessoas não é nova, mas é a primeira vez que isso é testado em líderes de diversas religiões ao mesmo tempo.

A equipe liderada por Richards é conhecida por estudar os efeitos de diversos tipos de drogas psicodélicas, como o LSD e o MDMA também. Por enquanto, estudos com a psilocicina já revelaram que a substância tem grande capacidade de diminuir sintomas de ansiedade em pacientes em estado terminal. Outras pesquisas já investigaram como a droga poderia ser usada para tratar casos de estresse pós-traumático, depressão severa e alcoolismo.