Você gosta da Aurora Boreal ou da Aurora Polar? Fica maravilhado com a intensidade de cores e movimentos que só as luzes e a natureza podem nos proporcionar? Se você pelo menos admira as luzes do Norte e do Sul (vídeo abaixo), saiba que no Universo há espetáculos desse tipo com uma intensidade incrivelmente maior e mais brilhante. Essa foi a descoberta de alguns astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech, nos Estados Unidos.

Infelizmente você não terá a oportunidade (pelo menos não nesta vida) de observar de perto essas formações, ao passo que elas acontecem em astros distantes, fora do Sistema Solar. Além da distância, nesses corpos celestes a temperatura é extremamente alta e a gravidade é muito elevada.

Entretanto, a descoberta é interessante para a Ciência e pode implicar em outras pesquisas, como a de planetas habitáveis, que recentemente revelou o Kepler-452b. Mas antes de falar nas implicações, vamos ver como essa descoberta aconteceu.

Observação além do Sistema Solar

Os pesquisadores do Observatório Nacional estavam acompanhando uma estrela Anã Marrom em sua jornada espacial, na distância de aproximadamente 20 anos-luz de  da Terra. Foi quando se depararam com a ocorrência de auroras intensas na atmosfera do corpo celeste. Veja a seguir o vídeo com a pulsação de luzes vindas do astro.

“Nós constatamos que se houvesse a possibilidade de alguém estar na superfície dessa Anã Marrom, conseguiria presenciar um show de luzes fantástico, proporcionado pelas auroras milhares de vezes maiores que as que conhecemos do nosso Sistema Solar”, explicou o líder do projeto, professor assistente de astronomia na Caltech, Gregg Hallinan, em entrevista ao site oficial da Instituição.

As estrelas anãs marrons não possuem uma classificação definida e se encontram na condição intermediária entre um planeta e uma estrela. Por causa do seu enorme tamanho, elas não podem ser consideradas planetas, mas também não possuem as dimensões necessárias para abrigar as reações de fusão em seu núcleo que fariam desses corpos oficialmente estrelas.

Implicações da pesquisa

De acordo com o professor Hallinan, as pesquisas feitas até agora mostraram que, em termos de atividade magnética, elas não são iguais às pequenas estrelas. “Elas são mais como planetas gigantes, com grandes e poderosas auroras”, descreveu. Logo, cresce a tendência para que astrônomos passem a classificar as estrelas anãs marrom como planetas gigantes.

Além disso, segundo os pesquisadores, pela atmosfera rica em hidrogênio, as luzes emitidas, nas auroras das estrelas marrons teriam aparência vermelha brilhante. Assim sendo, da mesma forma que foi possível estimar que tipos de elementos compõem a atmosfera da estrela anã marrom, analisando os potenciais das luzes exibidas, será possível realizar o estudo com exoplanetas (aqueles que orbitam estrelas fora do sistema solar). Isso permitirá identificar se o planeta em questão possui uma atmosfera adequada para abrigar vida.

Representação artística de como seria a estrela anã marrom com sua aurora boreal

Em entrevista ao site CBS News, o pesquisador do Instituto Geofísico de Universidade de Fairbanks, no Alasca, Dom Hampton, se demonstrou extasiado com a conclusão. Ele não participou das pesquisas, mas ressaltou que os equipamentos certos vão possibilitar a análise de auroras em exoplanetas. “Se um planeta apresentar sinais de gases como oxigênio, nitrogênio e, talvez até, dióxido de carbono, será uma indicação muito forte de vida fora do nosso sistema solar”, completou.

E você, acredita que um dia os humanos vão poder migrar para outro planeta? Comente no Fórum do Mega Curioso