Você já ouviu falar de John Paul Stapp? Ele foi um importante coronel da Força Aérea dos Estados Unidos e, apesar do nome “gringo”, nasceu aqui no Brasil, na Bahia. Filho de missionários, aos 12 anos de idade Stapp acabou indo para os EUA e, depois de terminar seus estudos — ele se formou em Inglês, Zoologia, Biofísica e Medicina! —, decidiu seguir a carreira militar, participando inclusive da Segunda Guerra Mundial.

Fonte da imagem: Reprodução/The Encyclopedia of Science

No entanto, com o objetivo de melhorar os sistemas de ejeção das aeronaves da época, o brasileiro arriscou a própria vida incontáveis vezes, submetendo-se a testes para comprovar os efeitos da aceleração e da desaceleração sobre o corpo humano. Ao iniciar suas pesquisas, o consenso geral era de que os seres humanos podiam suportar uma aceleração máxima equivalente a 18 G, ou seja, até 18 vezes a força da gravidade.

Contudo, o brasileiro conseguiu demonstrar que o corpo humano é capaz de suportar pelo menos 45 G, submetendo-se pessoalmente à aceleração de 440 m/s2. Em um de seus últimos testes, Stapp chegou a se submeter a uma aceleração equivalente a 46,2 G!

O homem mais rápido da Terra

Fonte da imagem: Reprodução/Stapp.org

Para realizar os experimentos, Stapp ficava preso a um trenó movido com motores de foguete, e a velocidade máxima que ele alcançou foi a de 1.017 km/h em apenas 5 segundos. E como os trabalhos também envolviam os efeitos da desaceleração, ele freou essa corridinha que acabamos de descrever em incríveis 1,25 segundo.

Caso você esteja curioso sobre as lesões sofridas pelo coronel, ao longo de sua carreira ele teve vários ossos quebrados, descolamento de retina, hemorragias oculares e traumas diversos e, em um dos testes, seus olhos quase saíram das órbitas. Stapp faleceu aos 89 anos de idade.

Os estudos dele serviram para provar que os acentos ejetores podiam ser usados com segurança a velocidades supersônicas. Além disso, seus experimentos foram muito importantes para o progresso das viagens espaciais, para o desenvolvimento de equipamentos de segurança para automóveis e para a criação dos bonecos utilizados nos testes de acidentes.

Lei de Murphy

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Existe uma anedota interessante relacionada ao coronel John Paul Stapp: em 1949, ele bateu um recorde de aceleração, mas, devido a uma pane, os acelerômetros do foguete-trenó não registraram o feito. Stapp então pediu ao engenheiro que o auxiliava, o capitão Edward Murphy, para ajudá-lo a encontrar o problema, que foi identificado como um fio que havia sido conectado de forma errada pelo técnico responsável.

O capitão Murphy então descreveu o problema no relatório como “Se há mais de uma forma de fazer um trabalho e uma dessas formas redundará em desastre, então alguém fará o trabalho dessa forma”. A explicação acabou sendo simplificada e difundida por Stapp como “Se alguma coisa pode dar errado, dará”, transformando-se na mundialmente conhecida Lei de Murphy!

Abaixo você pode conferir um vídeo com os experimentos de Stapp (você pode ativar as legendas em português no menu):