Você viu as belíssimas — e peculiares — nuvens acima? Conhecidas como “noctilucentes”, elas se formam anualmente sobre a Antártida e, conforme o próprio nome sugere, brilham à noite. Você não sabia da existência dessas formações? Não se preocupe, pois nem mesmo os cientistas sabem muito a respeito delas, nem ao certo o que provoca o seu surgimento.

O que sabemos — mais ou menos

O que sabemos é que as nuvens noctilucentes são um fenômeno relativamente novo, registrado pela primeira vez em 1885, e que elas são as nuvens que mais alto “pairam” na atmosfera, por volta dos 80 quilômetros da superfície, na mesosfera. Um fato que vale a pena mencionar é que a primeira aparição dessas formações aconteceu cerca de dois anos após a devastadora erupção do Krakatoa, uma das piores já registradas na História.

Esse é um exemplo das misteriosas nuvens azuis

Nós já falamos a respeito dessa erupção aqui no Mega Curioso, mas ela liberou uma quantidade imensa de cinzas vulcânicas na atmosfera que — coincidentemente — ficaram acumuladas a 80 quilômetros de altitude, ou seja, bem onde as nuvens noctilucentes se formam.

Além disso, sabemos que elas são compostas por cristaizinhos de gelo bem pequenininhos — e os cientistas suspeitam que parte deles possam ser partículas congeladas de poeira de meteoros que se desintegram na atmosfera. Esses cristais refletem a luz quando os raios solares incidem sobre eles ao anoitecer, quando o sol está se pondo no horizonte, criando um brilho azul etéreo sobre a Terra.

Olha as noctilucentes de novo

Outra coisa que sabemos sobre as nuvens noctilucentes é que, desde que essas formações começaram a ser observadas pelos cientistas, elas aparecem no Polo Sul entre o finalzinho de novembro e começo de dezembro, enquanto no Polo Norte elas aparecem entre maio e agosto. E é mais ou menos isso que temos de conhecimento sobre as formações.

Mudança no calendário

Justamente por sabermos tão pouco sobre essas misteriosas nuvens, neste ano a NASA tinha uma sonda espacial a postos para registrar o surgimento delas sobre a Antártida. Curiosamente, as observações revelaram que, em 2016, as nuvens surgiram pela primeira vez no dia 17 de novembro, o que significa que, por alguma razão desconhecida, elas apareceram bem antes do esperado. Veja a seguir o monitoramento que a NASA fez sobre as formações:

Essas nuvens etéreas fazem a alegria do pessoal da Estação Espacial Internacional

Aliás, segundo a NASA, as nuvens não só estão surgindo cada vez mais cedo, como estão se espalhando para uma área cada vez maior na região dos polos. Os cientistas — que já não entendem completamente como as nuvens se formam — ainda estão tentando encontrar uma explicação para as alterações que estão acontecendo, mas suspeitam que o surgimento mais cedo pode estar associado a variações atmosféricas.

Uma das possíveis razões seria uma maior concentração de metano nas camadas mais altas da atmosfera. Segundo acreditam os pesquisadores da agência espacial, esse gás sofre oxidação por meio de uma série de reações químicas que resultam na formação de vapor de água. E essa quantidade extra de vapor fica ali, disponível para formar os cristais que compõem as nuvens noctilucentes.

Elas são lindas, você não acha? Apesar de (possivelmente) não serem um bom sinal

Se a teoria dos cientistas estiver correta e a aparição antecipada das nuvens estiver relacionada com uma maior quantidade de metano na atmosfera — o qual é um gás de efeito estufa cerca de 30 vezes mais potente do que o dióxido de carbono —, então, mais que oferecer um espetáculo no céu, as nuvens noctilucentes deveriam ser vistas como um sério sinal de alerta. A conexão está aí, agora os pesquisadores tentarão comprová-la.