Aqui vai uma estatística boa: das mais de 7 bilhões de pessoas que vivem na Terra, “apenas” 500 são atingidas anualmente por um raio. Se a chance de isso acontecer contigo já é bem pequena, alegre-se ainda mais com o fato de que 90% dos “sortudos” sobrevive à descarga elétrica. Mesmo assim, não é algo pelo qual você deve torcer ser “premiado”.

A formação de um relâmpago ainda não é totalmente compreendida pela ciência. Acredita-se que a micropartículas de gelo nas nuvens colidem entre si causando um excesso de carga elétrica negativa. Como o chão abaixo das nuvens vai estar com carga positiva, uma forte corrente acontece, formando o raio.

A velocidade dessa descarga é de até 300 mil km/h, com uma energia de 300 kV – algo 150 vezes mais potente do que um choque industrial, por exemplo. Por vezes, é mais energia do que em um reator nuclear!

Ser atingido por um raio não é sinônimo de morte instantânea, mas pode trazer muitos problemas

As primeiras sensações

O tempo que o choque de um raio atravessa o seu corpo é de meros 3 milissegundos! E nesse tempo minúsculo acontece muita coisa. Queimaduras de terceiro grau na pele são as mais comuns, mas suas roupas e seus cabelos podem chamuscar com a potencia da descarga elétrica.

A situação piora se você estiver usando algum colar, piercing ou pulseira metálica: o objeto vai “canalizar” a corrente elétrica, superaquecendo e queimando sua pele. Outra situação recorrente é que os estouros dos vasos sanguíneos cria uma cicatriz, chamada de Figura de Lichtenberg, que mostra o caminho que o choque percorreu em seu corpo.

Se isso tudo acontece em meros 3 milissegundos, você pode imaginar a dor, não é mesmo? Sobreviventes já descreveram a sensação como sendo parecido com a de mil vespas te picando – de dentro para fora! Outra coisa que pode acontecer nessa fração mínima de tempo é que seus tímpanos estourem e você fique surdo.

Cicatrizes mostram o caminho que o raio percorreu em seu corpo

O pós-choque

Alguns cientistas acreditam que seu sistema nervoso pode ficar permanentemente “curto-circuito”, levando a uma série de alterações neurológicas permanentes. Isso se você sobreviver à descarga elétrica, é claro...

A maioria das vítimas fatais morre de parada cardíaca após o choque. Este também pode levar teu corpo a ter convulsões severas ou paradas respiratórias. Se a eletricidade se concentrar na sua cabeça, você pode “fritar” seu cérebro, ocasionando danos irreversíveis, com possibilidade de paralisias permanentes.

Seu corpo pode desenvolver tiques nervosos parecidos com o Mal de Parkinson, sem contar as possíveis dores crônicas de cabeça, as perdas de memória e as alterações de humor e personalidade.

Maioria das mortes é causada por parada cardíaca

Nem tudo está perdido

Algo que confunde um pouco os cientistas é a possibilidade de você descobrir ou desenvolver um talento oculto. Um cirurgião ortopédico, por exemplo, foi atingido por um raio e passou a ter um desejo incontrolável de tocar piano. E seu talento precisa só de um “estopim”, já que ele acabou largando a medicina para se dedicar à música – tanto que compôs músicas clássicas.

Acredita-se que isso acontece porque a morte de alguns neurônios faz com que se ativem áreas anteriormente latentes em seu cérebro. Elas podem estar ligadas ao desenvolvimento de aptidões até então desconhecidas pelas pessoas que passaram pela experiência assustadora de serem atingidas por um raio.

Talentos podem ser descobertos depois de um choque

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