Você já parou para pensar como as montanhas-russas são capazes de deixar você passando mal? Seja com um pequeno enjoo, medo, sensação de ter todos os órgãos entrando em colapso ou até mesmo ânsias incontroláveis: os brinquedos são responsáveis por despertar seus sentidos, mas você sabe como isso acontece?

A equipe do Washington Post criou uma animação que mostra detalhadamente os artifícios utilizados por engenheiros especializados na criação de montanhas-russas para deixar qualquer um se sentindo, no mínimo, desconfortável. Aqui, mostramos passo a passo todos os tipos de movimentos feitos nos brinquedos para que você saia deles completamente atordoado.

1 – A arrancada veloz

Grande parte das montanhas-russas modernas começa a brincadeira com uma arrancada muito rápida, partindo de 0 a 193 km/h em menos de quatro segundos – no lugar da antiga subida lenta e agonizante. A Força-G empurra você com tudo para o seu lugar, enquanto faz suas bochechas se moverem em direção às suas orelhas.

2 – Você parece pesar mil quilos!

Ao final da subida, o carrinho começa a descer e você sente como se o seu peso tivesse quadriplicado. A sensação é a mesma de ser achatado, como um personagem de desenho. Algumas pessoas até têm a impressão de que toda a corrente sanguínea começou a ser enviada para os pés — essa é a força-G positiva.

No dia a dia, nós vivemos com força de 1G (ou uma vez a força da gravidade), então qualquer número superior a isso pode ser impressionante. Algumas montanhas-russas fazem você chegar a 4 ou 5G, mas apenas por pouco tempo, já que a força sustentada geralmente pode chegar a 2 ou 3G – algo como o experimentado durante o lançamento de um ônibus espacial, por exemplo. Tudo isso é o que faz com que seja muito mais difícil para o seu coração bombear sangue para o cérebro.

3 – De ponta-cabeça!

A maior parte dos brinquedos conta com loopings, que são os trechos em que o carrinho dá uma volta completa, subindo e descendo, deixando você de cabeça para baixo. São muitos raros os casos em que você tem a sensação de que vai cair, e a responsável por isso é a inércia; enquanto isso, a força centrípeta faz com que você não voe pelos ares.

Quase todos os loopings exigem uma aceleração enorme para que você passe ileso pelo círculo formado pelos trilhos. Larry Giles, vice-presidente do departamento de design e engenharia do Busch Gardens, garante que as forças são tão equilibradas que você não cairia nesta fase nem mesmo se estivesse sem o cinto – embora ele também diga que nunca vai tentar isso.

4 – Estômago na garganta

Conforme você sobe uma “colina” pelos trilhos, a sensação é a de que seu estômago pode sair do seu corpo e voar para longe. Os projetistas gostam de fazer com que você experimente essa sensação de que seus órgãos estão prestes a voar. E, na verdade, seus órgãos estão realmente flutuando dentro do seu corpo, devido à força-G negativa.

Embora a nominação seja essa, a força não chega a ser expressivamente negativa, mas um pouco menos do que o 1G que estamos acostumados. Engenheiros evitam usar a força-G negativa, pois humanos não costumam responder bem a ela. Basicamente, em uma força realmente negativa, seu cérebro e olhos explodiriam com a pressão do sangue.

5 – Batidas laterais

Quando você sente seu carrinho chacoalhar, a culpa geralmente é das pequenas batidas laterais. Com isso, você experimenta também a força-G lateral. Em alguns brinquedos, isso é mais comum, enquanto outros engenheiros tentam evitar a experiência. Batidas laterais em excesso podem ter resultados desastrosos, como a quebra de ossos ou o rompimento de vasos sanguíneos no cérebro.

6 – Coração explodindo

Grande parte das outras sensações nas corridas se deve ao medo e à adrenalina. Cientistas descobriram que mesmo pessoas saudáveis podem ter seu coração batendo irregularmente durante um trajeto. Mas grande parte disso é psicológico, pois a maioria das pessoas apresenta alterações nos batimentos cardíacos já com a expectativa da subida.

Pistas com visuais assustadores podem contribuir muito para esse tipo de reação física: balançando antes de uma queda ou quase colidindo com um obstáculo ou, até mesmo, ver uma criatura gigante saltar sobre seu carro. Tudo isso faz seu coração acelerar.

A montanha-russa Griffon, do Bush Gardens, tem um mergulho de 90 graus, seis inversões e vários “quase-acidentes”. No entanto, segundo Giles, se você fechar os olhos a sensação é a mesma de estar sentado em sua cadeira de balanço.