Caso você nunca tenha ouvido falar no termo “defenestração”, ele se refere ao ato de atirar coisas pela janela — mais precisamente, seres humanos. E, por mais mórbido ou terrível que pareça, esse artifício foi usado em várias ocasiões ao longo da História, sendo empregado rotineiramente no passado com o intuito de executar inimigos, encobrir assassinatos e até forçar suicídios.

Courtney Iseman, do portal Mental_Floss, reuniu uma serie de defenestrações famosas em um interessante artigo, e nós aqui do Mega Curioso selecionamos 3 casos para você conhecer. Confira a seguir:

1 – Defenestrações de Praga

Reparou que nos referimos ao termo “defenestração” no plural no subtítulo acima? É que Praga foi palco de dois desses incidentes, um em 1419 e outro, em 1618. No primeiro, a confusão foi resultado de conflitos entre os hussitas — que propunham uma reforma protestante — e os católicos e culminou com sete conselheiros da cidade sendo atirados pela janela diretamente para as garras de uma multidão revoltada.

O ato acabou dando origem às Guerras Hussitas — que duraram até cerca de 1434. A segunda ocasião, que aconteceu em 1618, também foi resultado dos problemas entre os dois grupos. Os católicos começaram reclamando que os protestantes estavam construindo igrejas em terrenos que eles diziam ser seus, e os protestantes revidaram alegando que a proibição violava seu direito de praticar sua religião.

Para resolver a contenda, católicos e protestantes se reuniram com os regentes imperiais, Vilém Slavata e Jaroslav Borita, e os dois foram condenados e... isso mesmo! Lançados pela janela. Por sorte, ambos caíram sobre um monte de esterco, sobrevivendo à queda. Essa segunda defenestração deu origem à Guerra dos Trinta Anos — e a um debate sobre o que teria salvado a vida dos nobres: anjos celestes (e católicos) ou o estrume de animais.

2 – Conspiradores italianos

Você já deve ter ouvido falar a respeito da família Médici, certo? Ela era incrivelmente poderosa e, no século 15, detinha o controle de Florença. Pois outro clã da região, o Pazzi — que consistia em uma família banqueiros florentinos —, decidiu que era hora de dar um chega pra lá nos Médici e assumir o poder.

Para isso, os Pazzi armaram um plano que consistia em assassinar Giuliano e Lorenzo de Médici — que estavam no comando da família — durante uma missa na catedral da cidade. Giuliano morreu durante o ataque, e Lorenzo escapou com ferimentos — mas o atentado acabou muito mal para os conspiradores.

O que os Pazzi não contavam é que uma multidão de partidários dos Médici se uniria e partiria para a vingança. No fim, vários conspiradores foram capturados e, enquanto alguns foram enforcados, outros tantos foram atirados pelas janelas do palácio da poderosa família florentina e estraçalhados pela população enraivecida. E a revolta contra o clã foi tão grande que seus integrantes tiveram que deixar a cidade — só voltando após os Médici serem finalmente derrubados, em 1494.

3 – O irmão do imperador que “voou” duas vezes

Akbar, o Grande, foi um dos maiores imperadores mongóis do sul da Ásia — e teve um importante papel em expandir o território da Índia entre os séculos 16 e 17. Muito respeitado, o nobre era famoso por conquistar novas terras por meio de conquistas militares e, então, “conquistar” o povo por meio de um governo justo e tolerante.

Pois, certa vez, Akbar resolveu mandar Adham Khan, que era seu irmão adotivo, acompanhado de uma tropa para conquistar novos territórios. Só que o cara, apesar de cumprir a missão, matou toda a população e ficou com a maior parte de tudo o que foi saqueado — e o imperador, que não gostou nada de sua atuação, deu a maior bronca em Adham e dispensou seus serviços.

Então, dois anos mais tarde, Akbar decidiu promover um de seus generais mais estimados a ministro, o que não agradou nada ao (desocupado e ciumento) Adham — que reuniu um grupo e assassinou o pobre militar. Adivinha o que aconteceu com o irmão adotivo do imperador? Isso mesmo, ele voou pela janela! Mas, como o homem sobreviveu à queda, Akbar ordenou que ele fosse arrastado de volta à sua presença e o empurrou lá de cima novamente.

*Publicado em 03/03/2016