Os avanços nas pesquisas com células-tronco têm brindado o mundo científico com descobertas incríveis em processos nunca imaginados antes. A reprodução de órgãos e partes funcionais do corpo humano traz esperança para a cura de doenças graves e até já está salvando algumas vidas.

A mais nova notícia sobre essa área é que alguns cientistas conseguiram um feito surpreendente e tão simples que eles mal acreditaram. Eles transformaram células sanguíneas velhas em células-tronco em um processo rápido.

E como isso foi feito? Com a adição de uma substância ácida no material que ficou imerso, nomeando esse novo perfil de células-tronco como STAP (stimulus-triggered acquisition of pluripotency) — aquisição desencadeada por estímulos de pluripotência.

De acordo com a BBC UK, a equipe de cientistas japoneses experimentou o método após observar um fenômeno semelhante em plantas, em que o stress ambiental pode transformar uma célula normal em uma imatura.

Dessa forma, novas plantas poderiam crescer a partir de uma célula mais jovem. No caso dessa nova descoberta, o stress ambiental poderia ser reproduzido em um ambiente ácido. Com a transformação das células, o material foi injetado em um embrião de rato, que se desenvolveu perfeitamente com as células reprogramadas.

Novas expectativas

Dr. Haruko Obokata, do Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento do Japão, disse que ficou realmente surpreso que as células poderiam responder ao ambiente dessa forma e acrescentou: "É emocionante pensar sobre as novas possibilidades que essas conclusões nos oferecem, não só na medicina regenerativa, mas para o câncer também".

O avanço foi obtido com células de sangue do rato, mas a investigação está ocorrendo agora para alcançar os mesmos resultados com sangue humano. Chris Mason, professor de medicina regenerativa da Universidade College London, disse que, se o processo também funcionar em humanos, a era da medicina personalizada finalmente chegará.

Fonte da imagem: Reprodução/BBC UK

Mason afirmou à BBC: “Eu pensei: `Meu Deus isso é uma virada de jogo! É uma descoberta muito excitante, mas surpreendente. Parece um pouco bom demais para ser verdade`, mas, pelo número de especialistas que verificou isso, eu tenho certeza que é. Se funcionar em pessoas, assim como nos camundongos, parece mais rápido, mais barato e possivelmente mais seguro do que outras tecnologias de reprogramação celular”.

Por exemplo, a descoberta pode ser muito importante para os casos de degeneração macular relacionada com a idade, o que provoca a perda de visão. Atualmente, são necessários 10 meses para ir da amostra da pele de um paciente para uma cultura de células-tronco que possa ser injetada nos olhos — e tudo isso com um enorme custo.

O professor Mason disse que, com esse novo processo, o tempo seria reduzido drasticamente, permitindo economia de dinheiro e um tratamento mais acessível, já que também os componentes para o preparo seriam mais baratos.

Revolucionária

Apesar de surpreendente e muito promissora, a descoberta precisará de mais pesquisas e aval de toda a comunidade científica para começar a ser praticada efetivamente. Tanto que alguns especialistas já estão dando os seus pareceres sobre ela.

Segundo a BBC UK, a descoberta foi descrita como notável pelo professor Robin Lovell-Badge, do Conselho de Pesquisa Médica, e como "uma grande descoberta científica e uma abordagem revolucionária" pelo Dr. Dusko Ilic, um especialista na ciência de células-tronco no Kings College London.

Porém, Dr. Dusko acrescentou: "Vamos precisar usar as mesmas precauções nas células geradas neste modo que as utilizadas nas células isoladas de embriões ou reprogramadas com um método-padrão".

Já o professor Lovell-Badge disse: "Ainda levará um tempo até que a natureza dessas células seja compreendida e para descobrirmos se ela pode vir a ser útil para o desenvolvimento de terapias. Porém, o que será realmente intrigante de analisar é qual o mecanismo por trás de como uma substância de pH ácido desencadeia a reprogramação — e por que isso não acontece quando tomamos limão ou vinagre?”.