Todo mundo já ouviu a respeito da vasectomia, certo? Esse é o nome do procedimento cirúrgico durante o qual os dutos deferentes — os canais que conduzem os espermatozoides dos testículos (onde eles são produzidos) até a próstata (onde eles são misturados ao líquido seminal) — são interrompidos para prevenir que o sêmen contenha espermatozoides e, consequentemente, em casos de relações heterossexuais, a fecundação do óvulo não seja possível e a gravidez indesejada, seja evitada.

Esse procedimento é bastante simples, costuma durar entre 20 e 30 minutos e geralmente é realizado em clínicas especializadas ou consultórios médicos sob a ação de anestesia local. Hoje em dia, as vasectomias envolvem a realização de duas incisões (bem) pequeninas no escroto ou "furinhos" através das quais o médico — quase sempre um urologista — corta, sela ou "grampeia" os canais deferentes.

Após a cirurgia, o escroto pode ficar amortecido por 1 ou 2 horas, o local das incisões podem apresentar um pouco de inchaço, e o paciente pode sentir algo de dor e desconforto. Por essa razão, é recomendado repouso por um ou dois dias, a aplicação de compressas frias na área afetada, o uso de roupas de baixo confortáveis e soltinhas e o emprego de analgésicos. Além disso, a atividade sexual pode ser retomada assim que o vasectomizado se sentir confortável para isso.

Não pense que estamos tentando minimizar a complexidade do procedimento! A vasectomia realmente é uma cirurgia simples e segura e um método contraceptivo com quase 100% de eficácia. Entretanto, existem vários mitos relacionados a ela — e a seguir você poderá esclarecer uma série de dúvidas comuns. Confira:

1 – A vasectomia provoca quedas nos níveis de testosterona?

Embora a testosterona seja liberada na corrente sanguínea dos homens principalmente pelos testículos, ela não é transportada pelos canais deferentes — que são as estruturas afetadas durante a vasectomia. Isso significa que o procedimento não tem qualquer relação nem interfere com a produção ou secreção desse hormônio no organismo.

2 – A vasectomia afeta a ejaculação?

Conforme mencionamos no começo da matéria, o fluido contendo os espermatozoides é produzido nos testículos e levado até a próstata, onde é misturado ao líquido seminal. No entanto, apenas 1% do volume do sêmen ejaculado contém espermatozoides.

O líquido seminal é produzido na próstata e nas vesículas seminais, e essas estruturas não são tocadas durante a vasectomia. Além disso, as contrações musculares que expulsam o fluido durante a ejaculação são produzidas na pelve, e essa área tampouco é afetada pela cirurgia. Portanto, se o homem era capaz de ejacular antes de passar pelo procedimento, ele poderá ejacular depois de se recuperar também.

3 – E o que acontece com os espermatozoides depois da vasectomia?

O procedimento apenas impede que os espermatozoides cheguem até a próstata, não a sua produção. Eles continuam sendo produzidos normalmente depois da vasectomia, com a diferença que eles ficam lá, nos testículos, até morrer. Mas, não se preocupe com isso, não, nem fique com dó dos pobrezinhos!

Os espermatozoides costumam sobreviver de três a cinco dias após serem produzidos e, se eles não são ejaculados — de uma maneira ou de outra —, eles acabam morrendo, sendo reabsorvidos pelo organismo e substituídos por uma nova leva de milhões e milhões de coleguinhas novinhos em folha. Esse é ciclo normal de vida dessas células, e ele vai continuar acontecendo normalmente apesar da vasectomia.

Aliás, é por conta disso que o procedimento é reversível. Isso mesmo, caso um homem que tenha passado por uma vasectomia deseje ser pai, ele pode passar por uma cirurgia para reconectar os canais deferentes. O sucesso da operação depende do tipo de técnica utilizado para interromper os dutos e de quanto tempo se passou desde que isso foi realizado, mas os índices de êxito na reversão costumam ser altos.

4 – A vasectomia afeta o desejo ou a performance sexual?

Não. O procedimento não afeta o desejo, a habilidade de ter ereções nem o prazer sexual, uma vez que, apesar de os dutos deferentes serem interrompidos, nenhuma outra estrutura do sistema reprodutor masculino é afetada.

Na realidade, muitos vasectomizados inclusive relatam se sentir mais felizes com suas parceiras após a cirurgia, provavelmente devido ao fato de eliminarem a preocupação com uma possível gravidez indesejada e o conflito sobre quais métodos anticoncepcionais usar.

5 – É verdade que a vasectomia pode causar o câncer de próstata?

Esse papo surgiu há cerca de 15 anos, depois da publicação de um estudo que sugeria uma relação entre homens que haviam passado pela vasectomia e uma maior incidência de câncer de próstata na velhice. Entretanto, várias pesquisas realizadas posteriormente não conseguiram encontrar a mesma relação, e os especialistas suspeitam que a ligação entre a doença e a cirurgia se deve ao simples fato de os vasectomizados passarem por exames médicos com mais frequência.

6 – A vasectomia é eficiente?

O procedimento é eficaz sim, mas não imediatamente. O vasectomizado pode conter espermatozoides viáveis em seu organismo mesmo após várias semanas depois do procedimento. Portanto, para evitar “acidentes”, é necessário que o casal escolha um método anticoncepcional temporário para prevenir a gravidez indesejada — até que as análises confirmem a ausência de espermatozoides móbeis no sêmen.

7 – Mas, a laqueadura não é mais simples?

De jeito nenhum! Enquanto a vasectomia é pouco invasiva, pode ser realizada (inclusive) em consultório sob anestésico local e (tipicamente) não requer internação, as mulheres que se submetem à laqueadura das trompas — procedimento no qual os tubos que levam os óvulos ao útero são interrompidos — precisam ser internadas, de anestesia geral e passar por um processo bem mais invasivo e com índices de complicações bem mais alto.

Um lembrete importante: embora a vasectomia seja eficaz na prevenção da gravidez indesejada, ela não evita a infecção de doenças sexualmente transmissíveis e, sendo assim, não dispensa o uso de preservativos.