Júlio César foi, sem dúvida, um dos generais mais célebres da História, e sua liderança foi fundamental para a ascensão do Império Romano. Seus feitos e batalhas são bem conhecidos por todos, assim como o fato de César sofrer de uma série de problemas de saúde — como tontura, vertigem, enxaqueca, fraqueza muscular e ataques — que levaram muitos historiadores a acreditar que o romano sofria de epilepsia.

Contudo, de acordo com Ian Sample do The Guardian, médicos do Imperial College de Londres revisaram os sintomas de Júlio Cesar e apresentaram um estudo no qual sugerem que o general, em vez de ser epilético, provavelmente sofreu uma série de mini derrames que, além de afetarem o líder fisicamente, também podem ter desencadeado alterações em seu estado mental.

Trajetória e indícios

O general nasceu em 100 a.C. em Roma e, após liderar a conquista da Gália e vencer batalha após batalha, Júlio César foi escalando o sistema político até se tornar ditador vitalício da República Romana em 49 a.C. Infelizmente, seu governo foi finalizado prematuramente em 44 a.C., quando César foi assassinado no Senado.

Sua trajetória militar e política foi largamente documentada ao longo da História, e existem registros de que a personalidade de Júlio César mudou dramaticamente e de que ele se tornou depressivo mais para o final de sua vida. Além disso, em um episódio famoso — no qual o ditador reagiu fortemente contra um discurso de Cícero —, testemunhas afirmaram que César se tornou pálido e trêmulo, e que derrubou uma porção de documentos diante dos senadores.

Outro exemplo é o testemunho de que em outra ocasião Júlio César não teria conseguido se levantar enquanto os integrantes do Senado o homenageavam — atitude que, na época, foi interpretada como desafiadora. Esses e outros casos levaram os historiadores a deduzir que o general sofria de epilepsia — problema que na época do ditador era considerada uma doença sagrada, portanto, o diagnóstico foi conveniente para sua posição.

Revisão

Segundo os médicos que revisaram o diagnóstico de César, os sintomas descritos por historiadores gregos e romanos não são consistentes com a epilepsia. Conforme explicaram, os indícios são mais condizentes com problemas resultantes da ocorrência de vários derrames de pequena dimensão — conhecidos como acidentes isquêmicos transitórios.

De acordo com Ian, os especialistas também se apoiaram em textos de Plínio, o Velho, que revelam que o pai e outro parente de Júlio César morreram de repente sem causa aparente. Os médicos sugerem que a causa possa ter sido uma parada cardíaca ou derrame, assim, é possível que o ditador tivesse predisposição genética para sofrer de problemas cardiovasculares.