Há alguns dias, nós publicamos aqui no Mega um texto que gerou bastante discussão entre nossos leitores. Na publicação em questão, falamos sobre homens heterossexuais casados com mulheres que “pulam a cerca” e acabam se relacionando com outros homens.

A maior discussão foi sobre orientação sexual, afinal tem quem afirme que esses homens são homossexuais e tem quem diga que na verdade eles são bissexuais – e, claro, há quem ache que são heterossexuais curiosos, digamos assim. Em termos de sexualidade, vale sempre lembrar: as possibilidades são muito maiores do que os rótulos.

O fato é que um leitor paulista que estava de passagem por Curitiba resolveu conhecer a redação do Mega e a conversa com ele acabou se transformando em um depoimento sobre a mesma temática. Embora tenha pedido para não ser identificado, o visitante, a quem chamaremos de André, nos contou alguns detalhes de sua vida amorosa.

Perfil

André tem 26 anos, mora sozinho, já tem um curso superior e atualmente cursa a segunda faculdade. Desde criança, sabe que sente atração sexual por outros homens, ainda que considere que sua infância tenha sido bastante reprimida em termos sexuais. O namorado de André, que chamaremos de Lucas, tem 32 anos e só assumiu sua sexualidade há alguns meses.

Lucas foi casado com uma mulher com quem havia namorado por alguns anos antes de dizer o “sim” no altar. Ainda que tenha feito tudo isso por espontânea vontade, ele já sabia, no dia de seu casamento, que era um homem no mínimo bissexual.

Com o passar do tempo, Lucas e a esposa foram perdendo o interesse um pela vida do outro – ela trabalhava exaustivamente e mal parava em casa e ele, que trabalha com administração pública, se via cada vez mais interessado sexualmente por homens.

Conflitos

Ao contrário de André, que já falou sobre sua orientação sexual com amigos e familiares, Lucas vive em uma família mais conservadora e, apesar de ser independente há anos, seus pais não têm noção de sua orientação sexual. Antes de decidir se divorciar, Lucas chegou a trair a esposa com outros homens, ainda que se sentisse culpado após os relacionamentos, que foram sempre casuais.

O casamento de Lucas chegou ao fim no início deste ano, após três anos de união, e logo em seguida, ele encontrou André pelo aplicativo Happn. De acordo com André, os dois tiveram uma conexão instantânea e, desde então, não se desgrudam mais. O relacionamento, que agora é namoro sério, já dura seis meses, e André conta que está muito feliz ao lado do amado.

Lucas, aos poucos, começou a contar a alguns amigos mais próximos sobre o relacionamento dos dois, e todos lidaram muito bem com a situação. Para a família e para os amigos de trabalho, no entanto, ele não pretende contar.

Outras experiências

Perguntei a André se ele já se ficou com homens que mantêm relacionamentos heterossexuais, e ele disse que não na posição de amante, mas que já saiu com homens que estavam começando a ficar com outros homens, e que essa fase de transição é geralmente delicada.

Da mesma maneira, André me contou que já foi assediado por homens que se dizem heterossexuais. O caso mais marcante foi o de um vizinho, que o viu pela janela com um namorado antigo e deixou um bilhete na portaria do prédio de André. A nota era clara: tinha um número de telefone e uma oferta – basicamente, o vizinho queria pagar para que André fizesse sexo com ele.

Chocado, André buscou informações e, por meio do número de telefone, chegou ao perfil do homem no Facebook: ele é um engenheiro famoso, que trabalha em uma grande construtora, é casado, tem dois filhos e aparenta ter 60 anos. O primeiro bilhete foi entregue há dois anos, mas até hoje esse vizinho tenta abordar André, que sempre recusa suas ofertas.

Medos novos

Agora que Lucas finalmente aceitou seu relacionamento com um homem e está feliz assim, os dois fazem planos para um futuro juntos – segundo André, esses planos incluem morar fora do país, ter um cachorro e, depois, filhos.

Segundo seu namorado, Lucas hoje é uma pessoa mais feliz e em paz consigo mesmo, especialmente por não se envolver mais em relacionamentos extraconjugais – antes da separação, ele vivia com peso na consciência pelas traições e se sentindo mal por estar casado com alguém por quem não tinha interesse sexual.

A gente sabe que isso gera polêmica, mas acreditamos que toda discussão, quando feita com respeito, é produtiva – caso contrário, é só troca de farpas desnecessárias. O que você pensa sobre o assunto? Conte para a gente nos comentários!