Como você sabe, se um objeto celeste de grandes proporções se chocasse contra o nosso planeta, as consequências poderiam ser cataclísmicas, e se você não acredita, basta se lembrar do que (possivelmente) aconteceu com os dinossauros. Você pode ter uma ideia do desastre conferindo a simulação que incluímos nesta matéria — ou clicar neste link para navegar pela seção do Mega Curioso dedicada a eventos apocalípticos. Mas e se uma rocha cósmica enorme, como um cometa gigante, colidisse contra o Sol, o que aconteceria?

De acordo com Joshua Sokol, do portal New Scientist, nos últimos anos, levantamentos realizados pela sonda espacial SOHO — de Solar and Heliospheric Observatory —, da NASA, revelaram que vários cometas passam pertinho da nossa estrela semanalmente. Esses astros são basicamente compostos por poeira, fragmentos de rocha e gelo, e os menores se desintegram antes mesmo de se aproximarem muito do Sol.

Curiosamente, segundo explicou, não é a coroa — a camada mais externa da atmosfera da nossa estrela — a responsável por destruir os cometinhas. Apesar de ser incrivelmente quente, ela é fina demais para transferir muito calor. Então, o que derrete os cometas, na verdade, é a intensa radiação emitida pelo Sol e que escapa ao espaço. Mas e com respeito aos cometas maiores, e se eles conseguissem penetrar pela coroa e atingir as camadas mais baixas?

Estimativas

Aproximação do cometa Lovejoy ao Sol registrada em 2011

Segundo Joshua, uma equipe de astrônomos escoceses fez alguns cálculos e concluiu que, para que um cometa possa chegar até as camadas mais baixas da atmosfera solar, ele precisaria ter uma massa de, no mínimo, 109 quilos — ou seja, o astro teria que ser bem pesadinho!

Assim, considerando que o cometa seja grande o suficiente e se aproxime bastante do Sol, ele seria capturado pela gravidade da estrela e ultrapassaria velocidades de 600 quilômetros por segundo enquanto “cai” pelas camadas atmosféricas. Além disso, nessa velocidade, o atrito com a atmosfera solar faria o astro virar uma panqueca até ele finalmente explodir.

Explosão bombástica

Lovejoy sobrevive ao "quase" encontro

De acordo com os cientistas, a explosão liberaria radiação ultravioleta e raios-X e poderia ser observada da Terra através de instrumentos específicos. Além disso, a colisão também poderia liberar uma quantidade de energia equivalente à emitida durante uma ejeção de massa coronal, só que em uma área muito menor.

Conforme explicaram os astrônomos, o evento seria semelhante à explosão de uma bomba na atmosfera e inclusive poderia fazer o Sol vibrar, desencadeando sismos que ecoariam através de suas camadas atmosféricas.

Vale lembrar que a colisão de um cometa gigante contra a nossa estrela jamais foi observada, portanto o cenário descrito pelos cientistas, embora seja baseado em cálculos e no conhecimento que temos sobre os dois astros, é apenas especulativo. Só testemunhando uma dessas trombadas para saber o que realmente aconteceria!

*Publicado em 13/8/2015