A descoberta de uma máscara mortuária de argila com impressionante semelhança com o crânio de um jovem tem sido um mistério, desde 1968, para os arqueólogos russos. Encontrada em um antigo túmulo na cidade de Shestakovsky, na Sibéria Oriental, a magnífica peça se destacava entre 15 conjuntos de restos mortais humanos cremados no local.

A cabeça de argila foi localizada por uma equipe coordenada pelo professor soviético Anatoly Martynov numa região conhecida como Minusinsk Hollow. A peça de 2.100 anos foi atribuída à cultura Tagarsk, que viveu na Sibéria durante a Idade do Bronze. A tecnologia de raios X disponível à época mostrava algo incomum nos ossos detectados no interior da cabeça, mas nada conclusivo.

Sem poder tirar conclusões adicionais, o professor Martynov declarou, de forma profética: ""Existem ossos de crânio e um pequeno espaço oco que, sem dúvida, não corresponde ao tamanho normal de um crânio humano, porém é bem mais reduzido". Nenhum investigação pôde ser feita para não destruir a antiga relíquia.

aRaio X da cabeça de argila. (Fonte: Ye. A. Babichev e V. V. Porosev / Budker Institute of Nuclear Physics SB RAS, Novosibirsk)

Desvendando o segredo da máscara

Finalmente, utilizando técnicas modernas de fluoroscopia de imagens, uma equipe de pesquisadores russos conseguiu revelar o mistério do crânio dentro da máscara funerária que até hoje continuava um mistério.

No último dia 17 de abril, o portal Archaelogy revelou que uma equipe de pesquisadores liderada por Natalia Polomak, do Instituto Russo de Arqueologia e Etnografia, e Konstantin Kuper, do Instituto de Física Nuclear, chegou à conclusão que o crânio existente dentro da escultura pertencia a um carneiro.

Natalia formulou a hipótese de que a cultura Tagarsk tenha criado um corpo para enterrar como substituto simbólico do jovem guerreiro possivelmente por não ter conseguido recuperar os restos mortais do morto.

Outra teoria formulada pela pesquisadora, Elga Vadetskaya, defende que a cabeça de carneiro possa ter sido colocada nos lugares dos restos do mortais do homem pelo fato de terem sido completamente decompostos antes que o complexo ritual de enterro se concluísse.