Numa pesquisa publicada ontem (15) na revista Nature, pesquisadores de Cornell em Nova Iorque e universidades europeias revelaram que fluidos ácidos podem ter destruído evidências da existência de vida biológica passada dentro da argila do planeta Marte.

Há muito tempo, os pesquisadores utilizam argilas marcianas para coletar amostras, uma vez que esses minerais têm características capazes de proteger qualquer material orgânico existente em seu interior.

Essas pesquisas são realizadas com base na abundância de minerais hídricos em toda a superfície do Planeta Vermelho, o que sugere a existência de antigos ambientes aquosos capazes de sustentar vida.  Hoje, a situação é diferente: a atmosfera carece de um campo magnético protetor contra a radiação ionizante que impede a preservação de uma bioassinatura.

O rover Perseverance trabalhando na superfície de Marte (Fonte: NASA/Reprodução)O rover Perseverance trabalhando na superfície de Marte (Fonte: NASA/Reprodução)

Metodologia

Nos diversos experimentos realizados, a equipe reproduziu em laboratório as condições inóspitas da superfície marciana. O objetivo era preservar um aminoácido codificado pelo código genético, a glicina, dentro das amostras de argila. As amostras de argila foram expostas a fluidos ácidos, simulando condições análogas às do planeta.

Num comunicado à imprensa, Alberto Fairén, cientista da Universidade de Cornell e co- autor do artigo, explicou: “usamos glicina porque ela poderia se degradar rapidamente sob as condições ambientais do planeta. É um informador perfeito para nos dizer o que estava acontecendo dentro de nossos experimentos”.

Solo marciano (Fonte: NASA/Reprodução)Solo marciano (Fonte: NASA/Reprodução)

Resultados da pesquisa

Os resultados foram desanimadores. Depois de submetidas à administração de radiação ultravioleta, as moléculas de glicina se degradaram dentro das argilas.“Quando as argilas são expostas a fluidos ácidos, as camadas colapsam e a matéria orgânica não pode ser preservada”, esclareceu Fairén. “Elas são destruídas”.

A conclusão do trabalho é definida por Fairén: “Nossos resultados neste artigo explicam porque pesquisar compostos orgânicos em Marte é extremamente difícil”.

Ácidos podem ter destruído as evidências de vida em Marte via TecMundo