Quando uma pessoa é condenada à pena de morte e o dia de sua execução está próximo, ela tem direito a escolher o que deseja comer em sua última refeição. Esse costume já é bem tradicional e pode ser visto em obras de ficção na literatura e no cinema, por exemplo.

Algumas pessoas gostam de dizer que a ideia do último pedido de refeição tem a ver com a famosa Santa Ceia de Cristo, mas não há qualquer evidência concreta a esse respeito. Então como essa tradição realmente se iniciou?

Afinal, quando se iniciou a tradição da última refeição?

A princípio, essa tradição surgiu provavelmente na Idade Moderna, quando se começou a se conceder de forma ampla, em massa, essa cortesia da última refeição para os prisioneiros.

Em um primeiro momento, somente os ricos que eram condenados podiam pedir o que quisessem a qualquer instante e até mesmo recebiam permissão dos seus servos para assisti-los. No caso das pessoas pobres, na melhor das hipóteses, elas tinham direito de ingerir um pouco de álcool.

Corredor da morte. Fonte: AP/Reprodução.

O costume ganhou força para valer mesmo por volta do século XVI. É possível que esse tipo de cortesia tenha sido amplamente concedido antes disso, até mesmo para os mais pobres. Entretanto, só há evidências concretas de relatos dessa prática por volta do século XVI.

Independentemente disso, em alguns lugares, como a Inglaterra, no século XVIII, a última refeição era definitivamente comum. Aliás, em Londres, por exemplo, o condenado podia desfrutar de uma refeição até mesmo com convidados na véspera da execução.

E no caso dos Estados Unidos?

Por incrível que parece, a prática da última refeição nos Estados Unidos, lugar onde ela é mais conhecida pelas penas de morte, não teve início logo que a colonização europeia começou. O que havia, na realidade, eram alguns poucos relatos de execuções nas quais, excepcionalmente, permitia-se ao condenado beber alguma coisa ou fumar.

No século XIX, relatos sobre essas cortesias eram cada vez mais comuns, assim como a prática do pedido de última refeição que, por sua vez, tornou-se comum no século XX.

A razão para essa concessão? Uma hipótese afirma que seria uma forma de mostrar impessoalidade na condenação, ou algum tipo de humanidade diante da pena fatal. Ou talvez seja uma forma de evitar que o fantasma do executado não assombre os executores posteriormente...